Podia falar das imensas birras que a Beatriz faz durante um dia. Birra para tudo que possam imaginar. Birra para vestir, birra para comer, birra para calçar, birra para dormir, birra, birra, birra. Ela chora, grita, atira-se para o chão, tudo a que tem direito. Eu desespero, nem sei por onde lhe pegar. Eu visto-a, ela aparece-me despida, eu calço-a, ela descalça-se, dou-lhe de comer, ela suja-se toda e tudo à volta (porque faz birra e vira a cara e esbraceja e vai tudo pelos ares). Faço tudo a duplicar, triplicar, às vezes consegue quadruplicar-me o trabalho por causa da... birra, claro.
Podia falar de uma ida ao shopping com as duas, para revelar fotos. Podia dizer que saí de lá completamente exausta. Birras, birras, birras. Para fazer um corredor ter de parar umas dez vezes, ter de negociar umas vinte e acabar por ter que a levar arrastada.
Podia dizer que o postal de Natal ficou um fiasco. Tanta tentativa e parece que escolhi a foto mais desfocada. Mas já não tenho tempo (nem vontade) de estar com mais sessões de fotos. Elas este ano não colaboraram, não pararam quietas, não obedeceram, não quiseram saber. Vai mesmo assim.
Podia dizer que a Inês já não acredita mesmo no Pai Natal. Pronto, acabou-se. Já não dá. Perguntas concretas merecem respostas concretas e verdades. Não consegui mentir-lhe.
Mas vou só queixar-me da conta da água deste mês. Duzentos e três euros? WTF?