quinta-feira, 15 de abril de 2010

Sobre o parto (da Nini)

Tento ainda não pensar muito nisso, mas com o tempo a passar torna-se inevitável. Recordo o primeiro, as coisas boas e as más. Os meus únicos "pedidos" são que seja normal e que seja, pelo menos, como o da irmã.

O parto da Nini não se pode dizer que tenha sido fácil mas não me traumatizou nem fiquei sem vontade de ter mais filhos.

Comecei a fazer dilatação às 35 semanas, vim para casa, de repouso, quase com 36. Entretanto não sentia mais nada, não me sentia cansada (como já sinto agora), não tinha qualquer dor, não tinha contracções. O rolhão mucoso saiu naturalmente às 36. Na consulta às 37 semanas o obstetra disse-me que ia estar ausente (de férias) na semana seguinte, perguntou-me o que queria fazer, esperar mais uma semana (correndo risco de entrar em trabalho de parto na ausência dele, que parecia ser o mais provável, colo do útero mole e dilatado) ou induzíamos o parto. Optei pela 2ª hipótese.

Às 37 semanas e 4 dias entro na Casa de Saúde às 14h para a indução do parto da Nini. Tudo vai correndo, lentamente, as contracções começam e levo epidural. Perdi noção do tempo, ele ia passando sem que eu percebesse se ainda era dia, se já era noite. Quando preciso de 2ª dose de epidural, lá vem o anestesista e nada. As dores continuam. Nova dose, tudo igual. Decide retirar o cateter e recolocá-lo, novamente aquele aparato que vocês conhecem, mas nem assim. E o pai branco, quase a desfalecer. A epidural simplesmente deixou de fazer efeito, as contracções cada vez mais fortes. A dilatação vai-se fazendo mas muito lentamente. As dores continuam, a tortura dos toques da parteira (por incrível que pareça os do médico doíam menos). Não me lembro do que fiz durante tanto tempo, acho que não comi nem bebi. Tive sempre o marido comigo, obstetra, parteira e anestesista também quase sempre no quarto, mas eu nem dava por eles (avós e tios começaram também a aparecer, mas nessa altura apetece tudo menos visitas). Pelas 22h e pouco novo toque dele, ainda não está, ainda vai demorar umas horas, se calhar já vai ser amanhã. Nem passados 5 minutos vem a parteira para fazer também, eu tento escapar, digo que o médico acabou de fazer, mas ela insiste. Faz uma cara! E sai a correr atrás dele. Vêm todos. Vamos lá, está na hora. Sala de partos, eu a postos, eles a prepararem tudo. O anestesista que não se calava a tentar dar explicações da epidural não ter resultado. O pai ao meu lado. Chegou a hora (foto na sala de partos segundos antes do processo de expulsão 22:40), começar a fazer força, e lá começo eu, agarrada a uma mão, de olhos fechados, em breves instantes que os abro, não reconheço a mão, peluda, mas não quero saber, agarro com ainda mais força (era do anestesista, que me deu a mão e ao mesmo tempo me empurrava a barriga). Sinto a episiotomia, mas não doí, aliás durante a expulsão não me lembro de qualquer dor, acho que a adrenalina me anestesiou. A Nini nasce! (1ª foto, acabada de nascer, 22:45), chora, olhamos para ela e também choramos (bem, eu chorei de alegria, o pai tentou disfarçar!) mas nem me lembro bem dos pormenores, é tanta coisa a acontecer, tudo tão intenso. Levam-na para um canto da sala, onde está o pediatra. Ele e a enfermeira tratam dela enquanto o obstetra trata de mim. Aqui o tempo passa devagar, não deixo de olhar para ela, à distância. O pai anda de um lado para o outro, entre mim e ela. Voltamos os 3 juntos para o quarto, ela deitada ao meu lado!

Não dormi essa noite, o pai aterrou na cama ao lado, eu fiquei a olhar para ela em pura contemplação, foi tudo tão intenso e, mesmo no limite do cansaço, não adormecia. Já não tinha dormido a noite anterior com a ansiedade.

Seguiram-se dois dias de visitas ininterruptas. Muito cansativo para mim e para ela, mas isso dava outro post.

7 comentários:

apm disse...

Imagino que já sintas a ansiedade...
Eu só queria não ter dores, fosse normal, cesariana, acordada ou a dormir ;)
Vai tudo correr bem!!
Bjinhos

Isabel disse...

bolas... agora até me fizeste chorar!!!
:)
bjs

Xana disse...

Vai tudo correr pelo melhor... Lembro-me perfeitamente deste dia e da ansiedade que eu e o teu cunhado sentimos. Não estivemos presentes ... mas esperamos "desperadamente" por uma mensagem ou um telefonema... dissemos vezes sem conta que já tinha passado tanto tempo... que ela nunca mais nascia, etc.. e ao final da noite já quase a entrar um novo dia lá apareceu a bendita sms e depois o telefonema.

1gota disse...

ai... emociono-me sempre a ler relatos de partos, principalmente porque por mais dolorosos que sejam (os relatos e os partos) o final é (quase) sempre feliz!

:*

Susana Happy Days disse...

Pois... acho que nem vou comentar!
Neste momento ando com a cabeça a 1000 :S!!!

Mas vai tudo correr bem...

Keratina disse...

Bem...eu emocionei-me ao ler, mas ao mesmo tempo doeu-me tudo enquanto o relato acontecia...
não penso (ainda) nessa parte, e como é a primeira vez, vou ao engano, lol

beijokas e vai correr tudo bem.

Mami disse...

Hei pá, agora estou eu aqui toda saudosa e de cara escorrida de lágrimas ao lembrar o nascimento da minha pipoca tb...!!
As comparações são inevitáveis, mas não valem a pena porque cada caso é um caso, mas tenho a certeza que vai correr tudo muito bem!!!

Bjs e muita força!