quarta-feira, 27 de julho de 2011

"Criancinhas"

Normalmente não sou da mesma opinião da célebre Pipoca mais doce no que respeita às suas opiniões sobre criancinhas (como esta lhes chama). Não é novidade, nem ela o esconde, que não nutre especial simpatia por seres pequeninos, enquanto eu, tenho por eles especial carinho.

No entanto, o que ela relata neste post, é um exemplo do porquê de muita gente não gostar de crianças(inhas). Ou mesmo, do motivo pelo qual se gosta menos de algumas crianças(inhas). Ou até, como os pais têm culpa de não se simpatizar com algumas crianças(inhas). E, hoje, concordo com a Pipoca*.

As crianças não nascem ensinadas. Aprendem em casa, aprendem na rua, aprendem na escola, aprendem com todo o seu ambiente. Mas, principalmente, aprendem com os pais (pouco pelas palavras, quase tudo pelo exemplo). Uma criança precisa que os pais lhes mostrem a diferença entre o certo e errado, que apontem os limites. E, como o fazer? Elogiando quando faz bem, repreendendo quando faz mal. Dependendo da idade a repreensão pode ter diversas formas: o falar mais alto, com cara de má, o castigar ou até uma palmada se a coisa for mesmo má (sim, eu acho que existem palmadas pedagógicas, não precisam magoar fisicamente mas mostrar bem que algo é perigoso ou muito grave).

Se os pais não reagem perante comportamentos impróprios, perigosos, de má educação, passam a mensagem de que estes são correctos. Não mostram aos filhos que aquilo é errado. Se não ensinam, a criança não aprende. 

O dar tudo, o não ralhar, o permitir o que não deve ser permitido, não é ser bom pai, pelo contrário. Claro que é mais difícil dizer que não do que sim.  Claro que há crianças mais fáceis que outras. Há crianças que por natureza são obedientes e apenas precisam de orientação, outras são mais complicadas e precisam de um grande investimento por parte dos pais (acreditem que sei do que falo).

Li há tempos um artigo em que falava do processo "químico" pelo qual o nosso cérebro passa em criança. Processo essencial para que controlemos os nossos impulsos na idade adulta. A fase dos 3 aos 5 anos é determinante neste processo, é nestas idades que o cérebro desenvolve umas fibras (acho que foi este termo utilizado) responsáveis pelo tal auto controlo, pela distinção do bem e do mal, pelo controlo da agressividade. Essas tais fibras desenvolvem-se durante o estado de insatisfação ou até raiva ou revolta quando uma vontade é negada. É saudável contrariar (com razão, claro), é saudável dizer que não. É mesmo para o bem deles. 

Vamos fazer dos nossos filhos crianças felizes mas também respeitadoras do próximo e bem educadas e não "criancinhas", boa?


Não tenho pretensões de ser a mãe perfeita. Longe disso. Sei que não sou. Nem eu nem as minhas filhas. Fazem birras, portam-se mal e desobedecem. Mas tento e continuarei a tentar dar o meu melhor. Eu e o pai.

* Depois de alguns comentários, tenho a dizer que concordo com a Pipoca neste post no que diz respeito à fraca atitude da mãe. Claro que não acho em nada grave uma criança atirar-se à água sem pensar nos adultos friorentos. E, sim, também acho descabido ela levar isso tão a mal e deitar olhares ameaçadores. Mas o comportamento da mãe não deixa de ser condenável. Mas, se a mãe até viu esse olhar, o comentário até pode ter sido a sua reacção a isso, não sei. Até podia fazer o mesmo se fossem desagradáveis com um das minhas. De qualquer forma, mantenho a minha opinião de que crianças mal educadas são filhos de pais permissivos e pouco preocupados.

13 comentários:

Maria de Lurdes disse...

Eu não gosto de "criancinhas" - crianças mal educadas, que o são não por defeito de nascença, mas porque são o fruto de pais que se demitiram da sua função de pais, por preguiça, ignorância ou incapacidade. Não gosto da "criancinha", mas desprezo os pais. Uma criança pode ser mexida, barulhenta, intrometida, é uma criança, bolas, mas se por trás não tiver alguém que pelo menos esteja a tentar controlar a invasão da liberdade e espaço dos outros, está tudo explicado, é uma "criancinha" e a coisa só tende a piorar. Distância.

O meu filho tem nove meses e eu passo a vida a pedir desculpas e licença por onde passo com o carrinho ou incomodo de outro modo, repreendo-o por me puxar os cabelos e fazer porcaria com a comida por exemplo e muito mais nos espera, ainda agora está a começar... Tem de ser, ninguém vai ser pais por nós, nem deve, não têm essa obrigação e cabe a nós ensinar-lhe maneiras e o respeito que é devido pelo espaço dos outros, além de outros valores essenciais para ser uma pessoa a sério e não uma "criancinha" que cresceu e criou barba

Neste assunto sou muito intolerante, confesso, mas é que é algo que cada vez me causa mais angústia, acho que há uma grande e grave crise de valores em Portugal, que se reflecte na falta de educação das pessoas em geral e da qual as crianças são alvo fácil e pior, sinal de que coisa só tende a piorar, porque não há referênciaspara o futuro... Não está fácil.

**SOFIA** disse...

a minha tolerância aos maus comportamentos é baixa e muitas são as vezes que dou por mim a bufar com pequenos desvios comportamentais da minha filha. com os filhos dos outros é que não os suporto, principalmente se estaão num ambiente que supostamente não é idicado para eles (lojas de roupas de gaja, por exemplo, ou restaurantes mais xanam)

isto pode parecer um pouco chocante, mas educar uma criança pequena é como educar um cachorrinho. se falhamos nas ordens e repreensões tá tudo minado!

mas sim, sou humana e cometo milhoes de erros...

Filipa Serrão Oliveira disse...

ela tem razão naquilo que diz em relação à mãe, foi de uma má educação extrema, mas se a criança tinha 5 anos, tenham paciência. Quem cospe para o ar cai-lhe na testa e ela há-de ser mãe um dia e a criança (inha) há de sair-lhe d controlo e incomodar o próximo. Percebo o que ela diz, mas sinceramente detestei o tom. Nota-se que vem de quem não é mãe e não gosta de miúdos. A mãe sim deveria levar uma belinha e das grandes e sim, talvez devesse educar mais o miúdo, mas ele só tinha 5 anos, e parece que se esqueceram disso... é tão fácil falar quando não os temos, especialmente se lermos os comentários feitos ao post.´Imensas potenciais mãezinhas de miúdos potencialmente ainda mais mal educados e um dia pode ser que percebam que cuspiram para o ar. Enfim. Tentamos educar e devemos educar, mas uma criança é isso mesmo: apenas uma criança. Mandar um olhar agressivo a uma criança de 5 anos tb me parece de uma pessoa com poucos miolos.

Marta G. disse...

Parece-me, como sempre,(como sempre, quando fala de crianças) de mau gosto o comentário da Pipoca.
Ora bem, atirem-me pedras, lancem-se numa batalha aqui no Blog, mas eu não concordo nada com a atitude dela.
5 anos.
5 anos.
Acha a Pipoca que lançar olhares agressivos a uma criança de 5 anos faz dela uma pessoa com juízo...?
Ora bem, aos 5 anos lançar-se para a água certamente não foi propositado para molhar "esta-aqui-ao-lado-com-a-mania-do-frio". A atitude seria de má índole vinda de uma pessoa mais velha, mas por amor de Deus, aos 5 anos...
Depois, acho exagerado os comentários... "Bombas para a água?!" com 5 anos??
Se me viessem falar daqueles adultos desmiolados que se atiram em Bomba (esses sim) pulverizando as pessoas em redor, aí acreditava... mas "raio de 5 km?" "Pequeno Tsunami?"
Eu acho que ela empola... para agitar as mentes! LOL
Para mim, os pais sim, que resmungaram e foram mal educados, esses sim, eu condeno. Pela falta de educação, porque lhe deviam ter pedido desculpa, e advertido a criança do que tinha feito.
Agora a Pipoca... lançar olhares enfurecidos, raivosos, enfiar a cabeça da criança debaixo de água... enfim... Para mim, ela devia era ter entrado logo na água para refrescar as ideias!
eheheheheh

mamã do luisinho disse...

Claro que a Pipoca não é Mãe, por isso diz isso. Eu, como sabes, sempre fui "mosca morta" e ás vezes custa-me "aceitar" as malandrices do Luís. Mas ele é assim, muitas vezes tenho de o castigar (tirar-lhe o Panda é o pior castigo). E quando incomoda as pessoas (já conteceu, por ex, atirar a bola na praia ou mesmo areia) ralho e peço desculpa à pessoa que por norma aceita e sorri.É assim, tem 4 anos, é malandrito e muito feliz. Bjinhos

cristina disse...

Não concordo com a pipoca aliás no que toca assunto " crianças" nunca concordo com ela...
Agora que a Mãe foi um mau exemplo, isso sim, sem dúvida!
E concordo plenamente contigo Marta, subscrevo!

lfe disse...

Gente, a Pipoca está definitivamente contra a mãe e não contra o miúdo!!! E concordo, Marta! Estou contigo e não abro!!!! E com a Pipoca também!!
Eu tenho 2 filhas: uma dócil e uma peste! Sei bem o que é isso! E dou sempre o meu melhor para lhes mostrar os limites!! Não me parece que a mãe desse miúdo esteja muito preocupada com isso!
Luciana

Mami disse...

Concordo que a atitude da mãe não foi de todo correcta, mas também não acho que a da Pipoca Doce o tenha sido.E arrepia-me a forma como ela fala das crianças. Nunca o foi? Não sabe como as coisas são quando temos 5 anos? Nunca esteve ansiosinha para chegar à praia e atirar-se à água sem receios ou restrições? Incomodar meio mundo sem às vezes se aperceberem de tal coisa?
Quando a minha filha na sua inocência incomoda alguém, chamo-a à atenção e digo para que peça desculpa ou faço-o por ela. Mas, ter uma "marmanjona" a olhar para a minha filha com olhos de matador isso não! Agradecia que ela se dirigi-se a mim e me chamasse à atenção uma vez que ela é só uma criança e cabe-me a mim responder por ela.

Happy Days Diary disse...

Ora, eu não li (ainda) o post da Pipoca, mas também acho que ela e crianças(inhas) não jogam na mesma equipa!!!
Mas quanto ao que a Marta disse concordo plenamente... e tu, Marta, sabes bem que sim.
Quanto às fibras a que te referes, logo quando chegar a casa vou ver o que diz o meu livro de neurologia... porque é verdade o que disseste, só não me lembro do nome técnico ;)
Hehehe

(agora, se me dão licença, vou ali ler o post da Pipoca que fiquei curiosa)

apm disse...

Eu não acho nada piada a isto.
Pode ter 2, 3 ou 5 anos. Se fosse a minha filha ficava de castigo e ELA pediria desculpa. Não se admite.
Eu tenho 3 filhas, como sabem, e odeio que as criancinhas (e os parvos de alguns adultos) me molhem na praia, faço os mesmos olhares da pipoca e escreveria o mesmo texto.
E vocês sabem que eu sou uma Mãe-relaxada!
A educação começa em casa e as criancinhas têm que se saber comportar em todo o lado com civismo.
Beijos :)

A minha corrente da chucha... é linda! disse...

A mãe devia de facto ter pedido desculpa. Ou não. Qual é a mãe que gosta de ver alguém olhar de lado para as suas crias?
Mas digo que é preciso ser muito "não me toques" para considerar que ser salpicado de água por uma criança, numa praia, é uma grande tragédia. Ainda por cima a água do algarve é tão quentinha... E se não gosta de criancinhas porque foi ela para uma praia frequentada maioritariamente por famílias (logo, com crianças)?
Podia simplesmente ter levado na brincadeira, descontraidamente, afinal as férias são para uma pessoa se divertir e relaxar. Estarei enganada?

Tica disse...

sabes o que me apetece dizer? que ponha a mão no ar quem nunca lançou um olhar matador a miúdos a molhar-nos na praia! eu já, n vezes... e eles apercebem-se que a praia não é só deles...
com o frio, caraças, uma pessoa reage logo, é instintivo...
normalmente vejo os pais a dizerem aos miúdos para terem cuidado...
mas sim, cada vez mais vê-se pais destituídos da sua função...

Batata-frita-mãe disse...

Eu ficaria igualmente irritada, principalmente com a atitude da mãe, essa sim foi uma grande mal educadona. Não há praias para famílias e praias para solteiros. Há civismo, uma coisa espetacular, que devia ser aplicada a todas as frentes.