"Durante décadas, o debate teve apenas um lado: o balanço entre as vidas familiar e profissional era gerida, quase a solo, por mulheres.
Mas os tempos mudaram e agora os homens ocupam um lugar cimeiro no quotidiano familiar, aprendendo a gerir a pulso a vida profissional e a vida doméstica. Os novos estudos indicam que actualmente os pais lutam tanto como as mulheres para corresponderem às responsabilidades em casa e no escritório. Por isso a análise científica aos casais que dividem tarefas familiares indica que os homens ficam tão ansiosos como as mães no que toca ao cuidado com a casa e com a educação dos filhos. O estudo "The new dad" ("O novo pai"), apresentado pelo Boston College, sugere que a nova visão parental inclui uma maior pressão no local de trabalho, que exclui o reconhecimento das responsabilidades familiares e a fraca influência dos pais na educação dos filhos.
Os pais também parecem mais insatisfeitos e infelizes que as mães na tarefa de gestão familiar: 59% dos pais analisados revelavam sinais de viver um "conflito trabalho-família", um número muito superior ao das mães (45%) com o mesmo tipo de problema. "Os homens enfrentam as mesmas dificuldades que as mulheres tinham nos anos 70: como ser um bom pai e um bom profissional?", explica Joan Williams, da Universidade da Califórnia. "O problema é novo para os homens e aos olhos deles parece muito maior do que poderia parecer aos das mulheres", conclui Ellen Galinskm, do Instituto da Família e do Trabalho."
Em jeito de desafio bloguístico e opinando sobre o artigo acima, deixo o meu testemunho tendo como base o exemplo cá de casa.
Os pais de hoje em dia estão de facto diferentes e melhorados aos de outros tempos. Não que tenha razões de queixa do meu. Também sempre foi um pai presente e participativo.
O pai de hoje (ou o novo pai como lhes chamam no artigo) sabe que o seu papel de pai não pode ser confundido com o de profissional, não basta aquela visão de outros tempos que um bom pai é o que traz dinheiro para casa, que sustenta a família mas vive muitas vezes alheado do que se passa dentro de casa. O novo pai tenta ser um pai presente, carinhoso, activo na educação dos filhos. O pai de hoje fica em casa com um filho doente se for preciso, vai com ele ao médico ou à reunião da escola.
Pode-se dizer que hoje em dia lidam até com mais preconceito que as mães em algumas situações, como o faltar para ficar com um filho, o gozar a licença de parentalidade. A entidade patronal ainda acha "estranho".
O cá de casa é um "novo pai" que brinca com as filhas, que leva a mais velha à escola todos os dias e que lhe dá banho quando chega a casa. Que sofre quando está fora em trabalho e a quem a filha entrega uma foto de família para se lembrar de nós, que telefona várias vezes para saber como dormiram, se estão bem, para falar com elas.
Há uns tempos atrás a sua disponibilidade era bem maior que a minha e era ele que ia buscar a filha à escola (ainda era filha única), dava banho, adiantava jantar e brincava com ela até eu chegar. Sabe fazer (quase) tudo em casa. Não significa isto que gostasse/goste (e quem gosta?) mas a necessidade aguça o engenho e muitas vezes me surpreendeu. Entretanto os papeis inverteram-se, a disponibilidade dele diminui e a minha aumentou, já não "ajuda" tanto e passa mais tempo fora de casa. Mas a filha mais velha só a ele pede o leite antes de dormir. Só chama o pai na hora de ir ao banho. Sabe que o pai dança com ela ao som de música aos berros (enquanto eu estou sempre a mandar pôr mais baixo) e têm letras adaptadas a várias canções! A pequenita vibra quando ouve a porta abrir e quando o pai lhe dá colo ao final do dia.
Mas ainda assim e, concordando com o artigo quase na integra, continua a ser mais fácil para um homem conciliar a vida profissional e familiar. Quer pela sociedade quer pela própria natureza humana. Mas pode ser que isto venha a mudar, pode ser...
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